quinta-feira, 30 de junho de 2016

Talentos e Virtudes


Um comentário do colega Jarbas Cunha nos chamou a atenção hoje e resolvemos trazê-lo para destaque nesta postagem.

O comentário foi apresentado na postagem "Seleção de dirigentes e contrato de gestão"e é parcialmente transcrito a seguir:

Aproveitando uma pesquisa do colega Jorge Silveira Lopes, vejam o quanto oportuno é esse texto da primeira Constituição Brasileira:
"A primeira Constituição brasileira data de 25 de março de 1824. Nela se delineiam com clareza os fundamentos de uma sociedade igualitária e de uma ideologia meritocrática. O art. 179, item XIV, rezava:
“Todo cidadão pode ser admitido aos cargos públicos civis,, políticos ou militares, sem outra diferença que não seja por seus talentos ou virtudes”
Esse artigo tornava o acesso aos cargos públicos uma possibilidade para os indivíduos que tivessem virtudes e talentos. Portanto, tais cargos não eram, do ponto de vista filosófico do sistema, bens exclusivos de nomeações nepóticas e fisiológicas. Estabelecia-se assim, pela primeira vez no Brasil a possibilidade de um critério meritocrático, embora a Constituição não fornecesse os instrumentos para orientar a prática social nessa direção.

O sentido de uma abstenção

Durante uma reunião de colegiado, os membros têm algumas opções ao apreciar uma matéria: aprová-la, rejeitá-la, se abster de votar ou pedir vistas.

No caso de nossa atuação no Conselho de Administração, em geral nossos posicionamentos são de aprovação ou de rejeição da matéria, ficando reservadas as opções de abstenção e de pedido de vistas para situações especiais em que essas alternativas sejam mais apropriadas.

Recentemente, ao nos depararmos com uma proposta com a qual concordávamos mas que, em nossa opinião, não estava devidamente instruída para decisão, optamos pela abstenção.

Ao nos abstermos, reconhecemos a importância e urgência da proposta, mas sinalizamos para a Empresa que temas como este precisam chegar aos conselheiros com a devida antecedência e com a instrução adequada, ou seja, acompanhados de todos os elementos necessários para dar segurança à decisão proposta.

A proposta em questão foi a de contratação de empréstimo para assegurar capital de giro para a Empresa. Não temos nenhuma dúvida da importância de a Empresa dispor desse mecanismo no curto prazo, para garantir os pagamentos de compromissos enquanto se busca meios de equilibrar o fluxo de caixa. Assim, concordamos que seja uma medida a ser adotada. Mas consideramos que nos faltaram elementos importantes para nos dar a segurança que entendemos necessária à aprovação de tema tão relevante e com desdobramentos por longo período.

Outros conselheiros entenderam diferente e votaram a favor da matéria e um votou contra, porque não concordava mesmo com a realização da operação.

Ocorrências assim são normais em colegiados e as decisões são produzidas a partir da votação havida.

Em situações como esta, a abstenção não é nenhuma omissão do conselheiro, como poderiam pensar alguns, mas sim um posicionamento possível diante de uma situação em que, embora concorde com a necessidade da medida proposta, considera que o embasamento para a decisão precisaria ser melhor construído, para maior segurança da Empresa. 

terça-feira, 28 de junho de 2016

domingo, 26 de junho de 2016

Seleção de dirigentes e contrato de gestão


A prática usual nas estatais é o Conselho de Administração receber as indicações dos Vice-Presidentes e votar pelo acolhimento ou não delas. Em geral, as indicações são acolhidas porque o Governo Federal sempre tem a maioria de votos no colegiado.

Fico pensando como seria interessante se o quadro fosse outro.

Imaginemos que, para cada posição de direção da estatal, o conselho de administração recebesse uma lista de candidatos previamente selecionados ente os mais experientes e produtivos executivos da empresa. E a escolha se desse realmente por "eleição", a partir da avaliação dos currículos, das realizações de cada candidato e até de uma avaliação realizada por empresa especializada (head hunter).

Funciona assim em muitas grandes organizações privadas e deveria funcionar assim também nas estatais e nos Correios.

Aperfeiçoando a ideia, poderia haver também um contrato de gestão, de forma que os selecionados se comprometessem a alcançar as metas e objetivos desejados pelo colegiado. E, se não cumprissem o contratado num intervalo de tempo definido, seriam substituídos.

Estas não são ideias novas no mundo corporativo. Se aplicadas aos Correios, certamente contribuiriam para a melhoria da gestão. Por que não aplicá-las então ?!

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Postalis - contribuição adicional injusta, ilegal e abusiva

Um dos temas mais frequentes nos contatos de colegas comigo nos últimos dias tem sido o plano de equacionamento do POSTALIS.

A informação de que os Correios começariam a descontar neste mês as contribuições adicionais de 17,92% sobre os benefícios acirrou os ânimos do pessoal, que, em muitos casos, nem sabe ainda como fará para absorver esse prejuízo em seu orçamento.

De fato, não falamos aqui de 1 ou 2%, mas sim de quase um quinto do valor do benefício. É como se, de uma lapada só, nos tivessem surrupiado um quinto de nosso patrimônio e ainda nos dissessem que mais à frente o quadro pode ficar ainda pior (pois o fundo não está alcançando a meta atuarial).

Aos que comentam que pensam em sair do plano, tento explicar que, de acordo com cálculos que alguns colegas mais informados fizeram, ao deixar o plano o participante perde boa parte do investimento, talvez 80% dele. Para constatar isso, basta comparar o valor que se teria que depositar num fundo de previdência privada para obter um benefício vitalício similar ao valor do benefício do fundo BD saldado. Outra forma de avaliar é pegar o valor de resgate do fundo BD saldado, que seria recebido quando o participante saísse da Empresa, e verificar, num fundo de previdência privada, que benefício vitalício esse montante consegue gerar. As duas comparações demonstram o tamanho da perda para o trabalhador que deixa o plano.

Mas, se ficar, o participante ainda poderá estar sujeito a outros planos de equacionamento futuros, que lhe tirarão ainda mais de suas complementações de aposentadoria. É verdade; isso pode mesmo acontecer.

Enfim, é uma situação difícil, em que cada um tem que fazer sua reflexão e tomar uma decisão que lhe pareça mais apropriada para sua situação específica, de maneira o mais racional possível, pois a decisão de saída do plano BD é irreversível e implicará consequências definitivas para o futuro do participante.

Com relação ao montante significativo do déficit diante do patrimônio do fundo, temos realmente algo assustador, que demonstra cabalmente a que ponto pode chegar o desastre quando a condução de um fundo de pensão é confiada ao longo dos anos a indicados políticos. A justiça ainda há de comprovar, mas pessoalmente não tenho nenhuma dúvida de que fomos sistematicamente assaltados por quadrilhas formadas pelos dirigentes da época e seus patrocinadores, imbuídos da intenção única de engendrar formas de desviar nosso dinheiro para seus bolsos.

As aplicações que hoje parecem inexplicáveis são exatamente isso - inexplicáveis. Foram montadas apenas para justificar a transferência de nosso dinheiro para o bolso alheio, como já bem demonstrou o relatório da CPI dos Fundos de Pensão.

Por que temos então que pagar essa conta injusta, abusiva e ilegal, que não fomos nós que produzimos? É a pergunta que todos fazem

A resposta terá que vir da Justiça, do Ministério Público Federal e dos órgãos de controle do sistema previdenciário privado. Que tenham assertividade e nos ajudem a esclarecer esse déficit e a buscar a reparação dos prejuízos indevidamente imputados aos participantes e assistidos do nosso instituto.

terça-feira, 21 de junho de 2016

Lei de Responsabilidade das Estatais

O Senado aprovou hoje (21/06) o PLS-555/2015, mais conhecido como Lei de Responsabilidade das Estatais.

O projeto de lei vai agora a sanção presidencial, após o que entrará em vigor.

No momento em que escrevemos esta postagem o texto final ainda não está disponível no site do Senado, mas já temos algumas notícias a respeito, como esta, da Agência Senado.

Vemos positivamente alguns avanços trazidos pelo projeto de lei, como, por exemplo, a exigência de qualificação para os dirigentes das estatais e a presença de conselheiros independentes nos conselhos de administração. Acreditamos que estas e outras medidas presentes no projeto de lei melhorarão a governança dessas empresas.

Durante as discussões iniciais do projeto no Senado, tivemos oportunidade de assistir três das audiências públicas realizadas, para compreender em profundidade o que se buscava com a legislação. Nessa oportunidade, percebemos que os legisladores estavam esquecendo a existência da Lei nº 12.353/10, que estabelecia a presença de um membro eleito pelos trabalhadores no conselho de administração. Marcamos, então, reunião com a assessoria parlamentar do Senador Tasso Jereissati, a qual prontamente nos atendeu. Explicamos o caso, em conjunto com colega da área de planejamento da Empresa, e o projeto foi ajustado, para contemplar a presença do representante eleito no conselho de administração.

Nossa expectativa agora é de que a nova legislação motive o Governo Federal a fazer boas escolhas técnicas para a Diretoria da Empresa, condição que nos parece indispensável para que a ECT supere bem e logo o quadro ora configurado na Empresa.

E, no conselho de administração, com a presença de conselheiros independentes, esperamos ter debates mais ricos e produtivos, a partir da experiência mais diversificada dos integrantes do colegiado.

domingo, 19 de junho de 2016

2º turno das eleições para o Conselho de Administração dos Correios


Começam às 08h00 do dia 20/06 as votações  do 2º turno das eleições para escolher o representante dos trabalhadores no Conselho de Administração dos Correios.

Escolha quem já mostrou competência e coragem para representá-lo. Vote na chapa nº 3União para Fazer Acontecer - Marcos César e Barbosa.

Roteiro para votar

Para votar, basta seguir o roteiro:
  1. utilize um computador, tablet ou celular conectado à internet;
  2. acesse o endereço https://elejaca.postalis.org.br e insira seus dados;
  3. se já possuir a carta-senha impressa, tenha a mesma à mão, para utilizar sua senha quando for solicitada;
  4. se não tiver recebido a carta-senha em sua unidade de trabalho ou se não estiver com ela no momento, poderá obter uma nova senha na própria página de votação; nesse caso, a nova senha lhe será enviada por e-mail ou por SMS;
  5. com sua senha em mãos, escolha a chapa nº 3União para Fazer Acontecer, cujo titular é Marcos César Alves Silva;
  6. confirme seu voto e pronto!
​Todos devem participar
Apesar de a votação ser facultativa, sua participação nesta eleição é muito importante. Vote, fale com seus colegas de trabalho e os estimule a votar também. Você pode utilizar os computadores da Empresa para votar.

Dúvidas
Se você tiver alguma dúvida ou dificuldade para votar, poderá falar a respeito com sua chefia ou nos escrever. Envie e-mail para o seguinte endereço: fazeracontecer@assistente.com.br.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

CBN - 09/06/16

Em função das matérias trazidas pela imprensa, dando conta dos resultados econômicos de 2015 e da nomeação do novo Presidente dos Correios, fomos contatados nesta data por repórter da CBN.

A matéria trazida abaixo contém uma parte do que conversamos com o jornalista.

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Michel Temer quebrou promessa feita no início da semana de que iria suspender indicações para as estatais. Novo presidente será o ex-deputado federal Guilherme Campos, que estava na presidência do PSD.
http://cbn.globoradio.globo.com/editorias/economia/2016/06/09/TEMER-NOMEIA-ALIADO-DE-KASSAB-PARA-PRESIDIR-OS-CORREIOS.htm

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Cartas Senha - Informe da Comissão Eleitoral

Informamos que iremos efetuar o reenvio de cartas senhas aos empregado para a votação do 2º turno eleitoral. A produção será realizada na DR/PA e distribuída até o dia 10/06 às demais Regionais para redistribuição as áreas de lotação dos empregados.

terça-feira, 7 de junho de 2016

Privatização e Reestruturação

Apesar de termos procurado ser bem transparentes em postagens anteriores nas quais tratamos destes dois temas - privatização e reestruturação, alguns colegas ainda nos indagam se somos contra ou a favor desses movimentos. Nesta postagem, procuramos resumir nosso posicionamento.

Privatização
Somos contra. Entendemos que os Correios oferecem uma série de serviços típicos da administração pública, que caracteriza a Empresa como extensão da União, base utilizada pelo Supremo para a manutenção do monopólio postal e para a imunidade tributária dos Correios. Pensamos ainda que uma direção tecnicamente qualificada tem plenas condições de reverter o quadro de desequilíbrio econômico da Empresa, de forma que os Correios não venham a depender de subvenções do Tesouro Nacional, o que poderia levar hipoteticamente o Governo Federal a pensar em abrir o capital ou privatizar a Empresa. Basta, portanto, que o Governo Federal escolha uma direção tecnicamente qualificada. Os Correios não necessitam ser privatizados ou ter seu capital aberto para se recuperar, se desenvolver e prestar bons serviços aos brasileiros.

Reestruturação
Como está sendo feita, somos contra. Entendemos que deve haver a evolução estrutural da Empresa, mas defendemos no momento a suspensão da implantação da atual reestruturação, para replanejamento, com a área de gestão de pessoas fazendo o seu dever de casa e ouvindo as pessoas antes de qualquer implementação. Somos absolutamente contra um processo de reestruturação nos Correios que deixe de considerar as pessoas e os impactos que as mudanças lhes trarão.
Qualquer empresa precisa evoluir, se desenvolver, se modernizar. E isso significa passar, vez por outra, por processos de reestruturação. Mas um processo de implementação de reestruturação sem a efetiva participação da área de gestão de pessoas desde o início e sem o adequado envolvimento das pessoas não pode dar certo nos Correios, independentemente do modelo planejado, pois estamos numa empresa que é formada essencialmente por pessoas, que precisam ser respeitadas, ouvidas e compreender claramente o que se espera delas na nova estrutura.

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Nomeações e Designações para Diretoria e Presidência

A necessidade de adequada qualificação técnica da direção tem sido o ponto mais destacado em diversas de nossas últimas postagens e também nas conversas com nossos colegas. Estamos certos de que a Empresa só terá alguma chance de voltar ao equilíbrio se contar com uma direção tecnicamente muito preparada. Temos sido enfáticos em afirmar que se isso não acontecer, a Empresa não terá futuro.

Hoje, felizmente, ouvimos do Presidente da República em exercício, frases como:

"Mandei hoje paralisar toda e qualquer nomeação ou designação para diretoria ou presidência de empresa estatal ou fundo de pensão, enquanto não for aprovado o projeto que está na Câmara, já aprovado pelo Senado, e que dispõe que só serão indicados ou nomeados pessoas com alta qualificação técnica."  e

"Não haverá indicação de outra natureza que não seja a qualificação técnica e preferencialmente pertence aos quadros das empresas estatais."

Esperamos que as declarações do Presidente da República se materializem de fato nos Correios, de maneira que a Empresa possa vislumbrar a tão necessária “luz no fim do túnel”.

Selecionamos algumas das menções desse tema em nossas postagens recentes no blog, para melhor ilustrar como consideramos importante essa decisão que o Governo Federal nos sinaliza nesse momento.

* * *

“Privatização, o que pensa o conselheiro”, publicada em 03/06/2016

Não poderemos mais conviver por aqui com dirigentes que não sejam especialistas em suas áreas, que não apresentem rapidamente resultados concretos em termos de melhoria de receitas e de redução de despesas, pois uma estatal deficitária é um peso que o Estado tem sempre dificuldade de carregar.

Para mudar esse quadro, precisaremos, principalmente, de uma direção tecnicamente qualificada. Não contar com uma direção assim, ou, pior ainda, continuar contando com indicações políticas para dirigentes é a grande ameaça neste momento para a vida da Empresa, pois a situação de equilíbrio não será alcançada se os dirigentes não forem muito competentes. 

Não se trata de corporativismo e nem mesmo de defesa pura e simples dos técnicos de carreira, pois, embora sempre tenhamos dito que temos quadros excelentes na Empresa para cobrir todas as posições de gestão, imaginamos que eventualmente algumas posições possam ser confiadas a profissionais trazidos do mercado, desde que esses sejam especialistas no que vão fazer e tragam experiência e conhecimento novos para a organização. Não tem sido assim. 

* * *

“Nova Gestão – Expectativas”, publicada em 31/05/2016

Temos convicção de que uma boa direção executiva pode modificar o quadro atual de desequilíbrio financeiro vivido pela Empresa, assim como melhorar os níveis de qualidade dos serviços. Esses não são objetivos inatingíveis para um grupo tecnicamente preparado.

Se, porém, o caminho escolhido for outro, e as indicações políticas se sobrepuserem, podemos esperar, infelizmente, o agravamento da situação da Empresa.

O Governo tem a oportunidade de escolher bem. Esperamos que faça isso.

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“Não estamos em greve!”, publicado em 21/05/2016

É necessário que isso mude, que os dirigentes da organização sejam escolhidos entre pessoas que realmente entendam das áreas que comandarão e que o façam com responsabilidade.
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“A doença do aparelhamento político-partidário na Postal Saúde”, publicada em 18/05/2016

Os Correios possuem um quadro de pessoal diversificado e competente. A Empresa não precisa de leigos procurando remos quando deveriam saber previamente como pilotar um transatlântico.

Só uma gestão técnica pode salvar os Correios, sua subsidiária CorreiosPAR e as ligadas Postalis e Postal Saúde. Sem isso é mais do mesmo e nenhum futuro à frente para a Empresa, para os trabalhadores e para o País, que sucumbirão à sanha do fisiologismo.

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“Sobre a matéria de O Globo, que trata de abertura de capital dos Correios”, publicada em 15/05/2016

A correção de rumos nos Correios, tanto no aspecto econômico quanto em qualidade de serviços, passará, necessariamente, por termos gestão técnica na Empresa, do topo à base. Assim, independentemente do rumo que se dê no futuro às estatais em geral ou aos Correios em particular, é fundamental que o novo governo perceba que não deve descuidar de escolher bem os dirigentes que aqui vai colocar e também de recomendar-lhes que reintroduzam na Empresa práticas que valorizem a técnica, a experiência e o desempenho, deixando de lado critérios políticos ou de outra ordem para escolher líderes.

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“Por que defendemos com tanta ênfase a gestão técnica”, publicada em 13/05/2016

Nem o Estado nem suas empresas foram feitos para "acomodar apaniguados". Foram feitos para servir à sociedade e para prestar bons e efetivos serviços aos cidadãos. E, para isso, precisam de bons servidores, selecionados por concurso público e devidamente motivados por planos de carreira justos e por sistemas de avaliação que valorizem o bom desempenho. 

Qualquer governo ou direção de estatal que se preze precisa compreender isso e agir para que a meritocracia, o desempenho, a qualificação voltem a ser considerados na escolha de dirigentes, gestores e líderes. Sem isso, continuaremos numa espiral descendente em qualidade e resultados e nem o País nem a Empresa terão futuro.

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“Veja - FIESP propõe venda de participação em estatais”, publicada em 1º/05/2016

A boa gestão, tecnicamente construída, é imprescindível para qualquer organização, independentemente de quem controle seu capital. Isso vale tanto para uma empresa de economia mista quanto para uma estatal ou para qualquer outra empresa. 

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 “A solução para muitos males”, publicada em 22/04/2016

É necessário que a questão da profissionalização da gestão das estatais, dos fundos de pensão e até mesmo dos órgãos do Governo Federal (administração direta) seja colocada em primeiro plano dentre as prioridades dos brasileiros. Não dá mais para esses locais serem vistos como cabides de emprego, como oportunidades para alojar compadres, parentes e correligionários, porque esse processo acaba por destruir as próprias organizações.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Privatização - o que pensa o conselheiro

Um dos temas mais sensíveis para os trabalhadores e para as representações sindicais é PRIVATIZAÇÃO.

Sempre que o assunto surge, os ânimos e os humores se alteram, porque em geral se enxerga nesse assunto uma ameaça para os empregos.

Nunca questionamos essa percepção, embora, em nossa visão, as características dos Correios tornem essa hipótese remota e improvável. Nesta postagem, procuraremos explicar melhor isso, assim como apontar qual é para nós a verdadeira ameaça que assombra a Empresa atualmente.

Os Correios possuem características peculiares que corroboram sua natureza pública, muito mais que outras estatais. A presença física e a entrega de correspondências e encomendas em todo o país, tratada como universalização do serviço postal, é a principal delas. Os Correios são claramente uma extensão da União, sua "longa manus", como costuma conceituar o judiciário, quando confere aos Correios imunidade tributária.

A prestação de serviços concorrenciais nos Correios é uma atividade que vem para equilibrar seus resultados, para permitir que a imensa infraestrutura necessária para prestar o serviço postal convencional funcione sem depender de aportes do Tesouro Nacional. Essa tem sido a lógica geral dos Correios no Brasil e a base de iniciativas como a Lei nº 12.490/11, que ampliou o objeto da Empresa, assim como permitiu sua atuação no exterior.

Os Correios são, portanto, uma empresa híbrida, que tem uma forte e onerosa missão social e que, simultaneamente, presta serviços em ambiente concorrencial, para rentabilizar sua infraestrutura. Equilibrada financeiramente, como esteve até bem recentemente, a Empresa é um grande exemplo de como o Estado pode se fazer presente, facilitando a vida das pessoas sem onerá-las com a necessidade de repasses do Tesouro Nacional.

O que ocorre atualmente, porém, é que, por razões variadas, como já tratamos em outras postagens, a Empresa passou a apresentar déficits, que chegaram, em 2015, a mais de R$ 2 bilhões de reais, consumindo rapidamente as reservas acumuladas nos anos anteriores. 

Nesse cenário de déficit, a gestão da Empresa passou a ser um fator crítico.

Não poderemos mais conviver por aqui com dirigentes que não sejam especialistas em suas áreas, que não apresentem rapidamente resultados concretos em termos de melhoria de receitas e de redução de despesas, pois uma estatal deficitária é um peso que o Estado tem sempre dificuldade de carregar.

Assim, como conselheiro, pensamos que a Diretoria Executiva dos Correios deve ter como objetivo, no mínimo, buscar o equilíbrio financeiro da Empresa.

Para o pessoal que está há mais tempo na Empresa, isso pode parecer simples - e deveria ser mesmo - pois vimos de um período em que os Correios acumulavam lucros a cada ano. Ocorre que isso mudou, agravado por fatores que não dependeram apenas da gestão da Empresa, como foi o caso do represamento das atualizações de tarifas, comprometendo as receitas, e do recolhimento excessivo de dividendos, diminuindo as aplicações e seus resultados.

Para mudar esse quadro, precisaremos, principalmente, de uma direção tecnicamente qualificada. Não contar com uma direção assim, ou, pior ainda, continuar contando com indicações políticas para dirigentes é a grande ameaça neste momento para a vida da Empresa, pois a situação de equilíbrio não será alcançada se os dirigentes não forem muito competentes. 

Não se trata de corporativismo e nem mesmo de defesa pura e simples dos técnicos de carreira, pois, embora sempre tenhamos dito que temos quadros excelentes na Empresa para cobrir todas as posições de gestão, imaginamos que eventualmente algumas posições possam ser confiadas a profissionais trazidos do mercado, desde que esses sejam especialistas no que vão fazer e tragam experiência e conhecimento novos para a organização. Não tem sido assim. 

Concluindo, acreditamos que a natureza das atividades da Empresa são marcantemente públicas, justificando plenamente sua existência como estatal, e acreditamos que, bem administrada, a ECT possa continuar sua história de sucesso por muito tempo. Mas consideramos necessário ressaltar que agora, mais do que nunca, os Correios precisam ser bem administrados, para o bem do Estado, da sociedade e também dos seus trabalhadores.