terça-feira, 31 de maio de 2016

Nova Gestão - Expectativas

Enquanto aguardamos a designação, pelo Presidente da República, do novo Presidente dos Correios, e a eleição de novos Vice-Presidentes pelo Conselho de Administração, compartilharemos com os colegas e leitores nossa visão e nossas expectativas sobre o perfil e a atuação futura dos novos dirigentes da Empresa.

Inicialmente, reforçaríamos o que temos defendido em postagens anteriores: é fundamental para os Correios que, como ocorreu recentemente em outras estatais, se façam escolhas técnicas para a composição da Diretoria Executiva. 

Isso pode parecer um lugar comum, a solução para todos os males, ou algo nessa linha, mas no caso dos Correios poderá fazer uma enorme diferença, como procuraremos explicar a seguir.

A Empresa passa por um momento singular de sua história, que traz riscos para a própria sobrevivência da organização e que demandará muito de cada um dos dirigentes. Não será possível, como já ocorreu diversas vezes no passado, esperar um ciclo de aprendizado de pelo menos um ano para que o novo dirigente entenda sua área. Precisamos de dirigentes que já conheçam profundamente suas áreas de atuação e que possam começar, já no primeiro dia, a atuarem no enfrentamento e solução dos problemas vividos por sua respectiva área e pela Empresa como um todo. Para isso, precisarão reunir formação, conhecimento, experiência e desempenho anterior adequados. Meias-soluções não servirão.

Precisamos também de um Presidente que compreenda os desafios atuais e acredite na Empresa, como uma organização de Estado indispensável ao País, um patrimônio dos brasileiros que precisa ser bem administrado e cuidado, para que prossiga sua história de sucesso.

Temos convicção de que uma boa direção executiva pode modificar o quadro atual de desequilíbrio financeiro vivido pela Empresa, assim como melhorar os níveis de qualidade dos serviços. Esses não são objetivos inatingíveis para um grupo tecnicamente preparado.

Se, porém, o caminho escolhido for outro, e as indicações políticas se sobrepuserem, podemos esperar, infelizmente, o agravamento da situação da Empresa.

O Governo tem a oportunidade de escolher bem. Esperamos que faça isso. 

segunda-feira, 30 de maio de 2016

2º turno das eleições para o CA - comissão divulga informações


A comissão eleitoral responsável pelas eleições para o Conselho de Administração 2016 divulgou hoje (30/05) o calendário do 2º turno das eleições e as duas chapas que concorrerão.
De acordo com o novo calendário, a campanha para o 2º turno se iniciará em 06/06 e as votações ocorrerão no período de 20/06 a 04/07.
Concorrerão as chapas nº 3 e nº 12, conforme 8º Comunicado da Comissão Eleitoral.

sábado, 28 de maio de 2016

Reestruturação - opinião do conselheiro

O desenvolvimento do processo de implementação da reestruturação da Empresa tem provocado inúmeras manifestações de colegas questionando as medidas definidas e, em muitos casos, os reflexos negativos que lhes serão impostos.

Noutras postagens anteriores, comentamos nossa preocupação com o fato de a área de Gestão de Pessoas não ter desenvolvido, no tempo adequado, alguns mecanismos básicos que agora amenizariam a situação para os trabalhadores que fossem atingidos pela reestruturação. Falamos, principalmente, de um mecanismo associado à incorporação de função para os que tivessem esse direito, conforme previsto na súmula 372 do TST, de um adequado PDI, para os que preferissem retirar-se, e de um processo de realocação bem feito, justo e transparente.

Entendemos que a Empresa precisa evoluir em sua estrutura e que o modelo em implantação tem suas qualidades, mas nos preocupamos com a forma como serão implementadas as mudanças, em função de as pessoas terem sido esquecidas ou ignoradas durante o desenvolvimento dos trabalhos. Dizemos isso porque, se a área responsável tivesse participado ativamente de todo o processo (o que nunca ocorreu) e cuidado devidamente do assunto, teríamos já em funcionamento os mecanismos que mencionamos e estaríamos agora implantando a nova estrutura com os trabalhadores e não contra eles (é assim que muitos percebem o processo).

E, entre continuar implantando as novas estruturas e multiplicando os problemas para as pessoas (devido a não termos os mecanismos adequados para lidar melhor com a situação), ou suspender a implantação até que a área responsável faça aquilo que já deveria ter sido feito há muito, prefirimos optar pelas pessoas e cobrar da Empresa a realização efetiva do que falta ser feito antes de se prosseguir.

Que se implante a reestruturação, mas com a implementação prévia de mecanismos de gestão de pessoas que amenizem os efeitos para os trabalhadores, como deve acontecer numa grande empresa como a ECT. Isso se chama respeito e não corporativismo, nem vai contra a necessidade de recuperação financeira da Empresa, a qual dependerá, fundamentalmente, do engajamento das pessoas e não da simples eliminação de funções.

- postagem anterior sobre o tema

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Remuneração da Diretoria

Em novembro de 2015, quando foi apresentada em reunião do conselho de administração a proposta de redução temporária da remuneração da Diretoria Executiva, comentei com os demais membros do colegiado que a remuneração dos dirigentes da Empresa, em minha opinião, não estava além do praticado no mercado. Além disso, me preocupei em que ficasse bem estabelecido que a redução, se aprovada, estaria restrita à remuneração da Diretoria e dos Conselhos de Administração e Fiscal, para que a decisão não trouxesse impacto aos demais trabalhadores.

Apesar dessa opinião sobre não haver excesso na remuneração dos dirigentes, votei favoravelmente à medida proposta, de redução temporária, considerando que se tratava de um gesto proposto por uma nova gestão que chegava ao Ministério e à Empresa e que desejava sinalizar disposição em enfrentar logo o quadro financeiro crítico aqui presente.

Agora, com novas mudanças no Ministério e na Empresa, a proposta de revogação da redução nos foi apresentada, com a argumentação de que as remunerações deveriam permitir a contratação de pessoas qualificadas e experientes, o que não seria possível com as remunerações reduzidas.

Por coerência com o que falamos em novembro e por acreditarmos que a Empresa precisa contar com dirigentes tecnicamente bem qualificados para cada uma das posições da Diretoria Executiva, oriundos do quadro próprio (preferencialmente) ou do mercado, votamos favoravelmente à medida.

Acreditamos que todos os trabalhadores devam receber remuneração adequada às atividades desenvolvidas, do Carteiro ao Presidente. E, no caso específico da Diretoria Executiva, precisamos de pessoas muito competentes, para superar logo os desafios do presente que não são pequenos e que chegam a colocar em risco o próprio futuro da Empresa.

Resta agora acompanhar a escolha dos novos dirigentes, para conferir se trarão realmente para a Empresa a bagagem de conhecimento e de experiência necessária para terem êxito e levarem os Correios novamente ao equilíbrio. Se tiverem êxito, valerão para a Empresa muito mais do que a remuneração que lhes será paga.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

NÃO ESTAMOS EM GREVE!

NÃO ESTAMOS EM GREVE!
Carteiros do CDD Alvorada também estão revoltados com o atraso das correspondências.
Não temos efetivo suficiente, pois não temos concurso público desde 2011.
Trabalhadores do CDD Alvorada.

A imagem, que fala por si, é uma demonstração concreta dos efeitos que uma gestão incompetente e descomprometida com a organização pode produzir.
Não conheço a situação específica do Centro de Distribuição Domiciliária Alvorada (CDD Alvorada), mas compreendo a situação em sua generalidade e já tenho abordado o tema inúmeras vezes no blog e nas reuniões do conselho de administração.
Por decisão da área de gestão de pessoas dos Correios, avalizada pela Diretoria Executiva, os Correios deixaram de realizar concursos públicos desde 2011. Em consequência, com a natural rotatividade de pessoal (aposentadorias, transferências, mortes etc.) e com a própria dinâmica do mercado, foram surgindo lacunas nas unidades operacionais da Empresa, as quais não foram cobertas. Os remanejamentos de pessoal inicialmente adotados para cobrir as lacunas logo deixaram de ser viáveis e as soluções vieram com a alocação de mão de obra terceirizada, em alguns casos, e a simples permanência da vaga em aberto em outras, como parece ser o caso do CDD Alvorada.
Como já mencionei em postagens anteriores, somente uma equipe totalmente alheia à realidade operacional da Empresa, como era a direção da área de gestão de pessoas da época e sua assessoria terceirizada (ainda assessorando a atual gestão), poderiam ter tomado decisão tão equivocada, que não só tem sido responsável pela queda de qualidade dos serviços, mas também pelo aumento de outros custos, como os decorrentes de contratação de mão de obra terceirizada, pagamento de indenizações, horas extras etc., todos decorrentes da falta de efetivo adequado ao desenvolvimento dos trabalhos. Um grande tiro no pé, que não foi consertado até hoje.
Qualquer estagiário numa indústria percebe, nos primeiros dias de trabalho, que não pode prescindir das pessoas necessárias para as operações de sua Empresa. Nos Correios, as cartas não saem sozinhas pelas ruas procurando endereços, as encomendas não voam até os destinatários e os clientes não são atendidos por robôs nas agências. São pessoas que fazem esses serviços e que precisam estar diariamente em seus postos para que a Empresa funcione. Prover adequadamente essas pessoas é algo tão básico que nem deveria merecer destaque entre as preocupações de uma gestão. Deveria ser algo rotineiro, como deve ter percebido nosso estagiário. Nos Correios, porém, essa questão virou um grande problema, um imbróglio que se desdobra sem que os dirigentes encontrem solução e que se agrava com o quadro de déficit financeiro instalado na Empresa. Tudo porque incompetentes foram alçados a cargos de direção, protegidos por indicação política, e por aqui fizeram o que lhes deu na telha, sem nenhuma base técnica, deixando-nos um legado maldito, que compromete os resultados da Empresa.
É necessário que isso mude, que os dirigentes da organização sejam escolhidos entre pessoas que realmente entendam das áreas que comandarão e que o façam com responsabilidade.
Por fim, é importante que compreendam o mais básico de tudo, como já percebeu nosso estagiário: os Correios são uma empresa de pessoas.

sábado, 21 de maio de 2016

MVNO

MVNO - Mobile Virtual Network Operator ou operador de rede virtual móvel.

O MVNO utiliza a infraestrutura de acesso de outras operadoras (torres, antenas, fibra óptica, fios de cobre etc), junto com sistemas próprios para oferecer serviço de telefonia móvel ao consumidor final. O operador é  responsável por montar seus próprios planos de serviços, fazer vendas e prestar atendimento ao consumidor.

MVNO Correios

Na semana passada, tive oportunidade de participar da primeira reunião de serviço com a empresa selecionada como parceira para desenvolver o MVNO Correios, a EUTV Consultoria e Intermediação de Negócios S.A., que utiliza a infraestrutura da TIM.

Acompanhar o desenvolvimento de um novo serviço é sempre muito interessante, especialmente quando esse novo serviço tem um espectro grande de possibilidades, como é o caso do MVNO Correios.

Espero que as equipes técnicas dos Correios e da EUTV consigam imprimir um ritmo forte no desenvolvimento das atividades necessárias para o lançamento comercial, de forma que em breve o serviço esteja disponível em nossas agências. 

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Sem indicações políticas na PETROBRAS - o bom remédio


"Não haverá indicações políticas na Petrobras. [...] Isto foi uma orientação clara que o presidente Temer me passou. Então, vou ser claro e taxativo com relação a este ponto: não haverá indicação política, o que vai facilitar muito a vida do Conselho de Administração e a minha vida própria porque, se isso fosse o caso, o que não será, certamente, elas não seriam aceitas", disse Pedro Parente, novo Presidente da Petrobras, em entrevista no dia 20/05/2016.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Presidente

Depois de duas décadas de administração central e de quase isso em regionais, tive oportunidade de conhecer diversos presidentes dos Correios. Com alguns, tive raras oportunidades de contato, normalmente em grandes reuniões ou em reuniões menores, nas quais fora escalado para apresentar algum tema. Mais recentemente, nos últimos três anos, as reuniões do conselho permitiram oportunidades mais frequentes de contato.

De todos os presidentes que conheci, com o último e o que menos permaneceu nos Correios, Giovanni Queiroz, foi com quem mais pude conversar em profundidade, pois, na sua chegada, tive algumas oportunidades de debater com ele as principais questões que se apresentavam para a Empresa.

O tempo, porém, foi passando e as oportunidades de contato foram se reduzindo até serem eliminadas pela rotina pesada que o presidente se impôs e pela necessidade de coordenar a diretoria já formada. Nossas críticas crescentes às decisões da direção também devem ter contribuído para esfriar o clima colaborativo inicial, mas permaneci com uma grande admiração pelo Giovanni, pois percebia que ele era movido por bons propósitos e queria deixar uma bom legado na Empresa. Infelizmente, as influências políticas foram determinando cada vez mais as decisões da Diretoria Executiva e o legado dessa passagem de Giovanni pela Presidência da ECT não terá apenas a marca das boas intenções dele.

Espero que o próximo presidente da Empresa também aqui chegue movido por bons propósitos, mas torço para que as cordas da influência político-partidária não o aprisionem e também que ele possa contar com uma Diretoria tecnicamente qualificada, apta a comandar a grande e complexa Empresa que é a ECT.

Ao Giovanni, que deixou recentemente a Presidência da Empresa, meus sinceros agradecimentos pelos bons momentos de debate, que espero lhe tenham sido úteis em sua passagem pela ECT.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

A doença do aparelhamento político-partidário na Postal Saúde

Nas últimas semanas, recebi inúmeros contatos de colegas indignados com algumas decisões que estavam sendo tomadas na Empresa e na Postal Saúde.

Na Postal Saúde, os colegas me informavam que estavam estarrecidos com a contratação de diversos indicados políticos para substituir os funcionários que se encontravam nos núcleos regionais. Demissões estavam sendo feitas para acomodar os novos indicados ou então os trabalhadores da ECT cedidos à Postal Saúde estavam sendo devolvidos, para abrir espaço para as novas contratações.

Importante lembrar que o rápido ensaio de direção técnica realizada na chegada da gestão que agora se despede foi logo descartado, com a dispensa dos três técnicos de carreira que dirigiram a entidade por um curto espaço de tempo, para substituí-los por indicados políticos, suscetíveis a viabilizar o fisiologismo pretendido. 

Infelizmente, a questão do aparelhamento político-partidário que tanto criticamos na gestão anterior foi até agravada nesta que se encerra, que não hesitou em descartar experientes profissionais de carreira para, em seu lugar, colocarem indicados sem nenhuma experiência ou formação compatível com as atividades a serem desenvolvidas.

Esperamos que a nova gestão que chega ao Ministério e à Empresa compreenda com clareza os nefastos efeitos que essa prática produz, corrija logo essas contratações fisiológicas na Postal Saúde e outros desatinos semelhantes cometidos pela atual gestão e opte por ter uma direção técnica, com profissionais de carreira devidamente habilitados para comandar desde o chão de fábrica até as Vice-Presidências.

Chega de falta de profissionalismo e de ainda se tentar imputar aos técnicos da Empresa os péssimos resultados que essas gestões produziram.

Os Correios possuem um quadro de pessoal diversificado e competente. A Empresa não precisa de leigos procurando remos quando deveriam saber previamente como pilotar um transatlântico.

O serviço postal não pode ser novamente transformado no cabide de empregos que já foi e que motivou, em 1969, a criação da ECT.

Só uma gestão técnica pode salvar os Correios, sua subsidiária CorreiosPAR e as ligadas Postalis e Postal Saúde. Sem isso é mais do mesmo e nenhum futuro à frente para a Empresa, para os trabalhadores e para o País, que sucumbirão à sanha do fisiologismo.

terça-feira, 17 de maio de 2016

Suspensão das campanhas para eleição do CA

Reprodução de nota do Correios Informa, publicada em 17/05/2016, às 10:18 h.

Suspensão das campanhas para eleição do CA — Até o fim da análise dos recursos do primeiro turno da votação, ficam suspensas as campanhas para o segundo turno da eleição para a escolha do representante dos empregados no Conselho de Administração dos Correios. Novo prazo para as campanhas será divulgado nos veículos de comunicação interna e também no hotsite eleicoesca.postalis.org.br.

domingo, 15 de maio de 2016

Transição & Casuísmos

Para muitos pode parecer óbvio que, num curto momento de transição como o que vivemos, seja recomendável não realizar algumas ações que deveriam ser decididas pela futura direção. Mesmo assim, considerei importante registrar, na última reunião do conselho de administração dos Correios, ocorrida em 12/05/2016, a seguinte sugestão para o Presidente interino da Empresa, nomeado em função de ter havido a dispensa do titular pelo Diário Oficial da União daquele dia.

 "Considerando o atual momento governamental, sugiro ao Presidente interino que, até a posse do novo titular na Presidência da Empresa, evite alterações de chefias de órgãos até o nível de Departamento, contratações de novos assessores especiais, recebimento de servidores em cessão e assinatura de novos contratos de patrocínio. Sugiro, ainda, que a Diretoria Executiva da Empresa atue para que procedimentos análogos sejam também adotados na subsidiária CorreiosPAR, Postalis e Postal Saúde."  

Espero ser ouvido, a bem de um processo de transição conduzido com profissionalismo e sem casuísmos.

Sobre a matéria de O Globo, que trata de abertura de capital dos Correios


Os temas "abertura de capital" e "privatização" sempre estiveram entre as preocupações dos trabalhadores dos Correios, pelo impacto que uma mudança nesse sentido poderia trazer para o pessoal. A matéria de hoje (15/05) de O Globo reforça essas preocupações, ao informar que o governo Temer trata da abertura de capital dos Correios.

Nesta postagem, procuraremos debater um pouco, sem esgotar, as causas dos resultados da Empresa, os quais constituem um importante fator nessa questão, embora não seja o único.

Os Correios, diferentemente de outros negócios e do que imaginam alguns, não sofre uma grave crise de demanda, por obsolescência tecnológica ou outra razão. Os volumes de negócios da Empresa, tanto no que se refere às correspondências quanto às encomendas, podem ser considerados estabilizados, já que acompanham as variações da economia no setor de serviços. A crise de resultados produzida nos Correios e que ficou mais concreta e visível a partir de 2011 não decorreu portanto de questões relacionadas diretamente a mercado, mas sim a um descompasso que se produziu entre as receitas e despesas da organização.

O desequilíbrio entre receitas e despesas nos Correios possuem várias causas, todas porém relacionadas à falta de capacidade da gestão e de sensibilidade do acionista (Governo Federal) para o simples fato de que esse equilíbrio entre receitas e despesas é fundamental para a sobrevivência de uma estatal que deveria continuar andando com as próprias pernas, como fez bem nas décadas anteriores.

Do lado do acionista, congelamento desnecessário de tarifas em período pré-eleitoral, deprimindo fortemente as receitas de postagens de cartas, apesar de haver regra pré-estabelecida pelo próprio Governo Federal para a recomposição anual de tarifas postais. Além disso, retirada em dividendos de praticamente todo o lucro produzido pela Empresa nos últimos anos, quando esse patamar poderia estar no mínimo estabelecido em lei (25%), permitindo que a Empresa fizesse investimentos, aquisições etc, para melhor desenvolver seus negócios e operações.

Do lado da gestão, uma série de trapalhadas (para usar um adjetivo leve), notadamente com a gestão de pessoal, que, sob o pretexto de racionalização e de redução de custos, produziram o efeito contrário, como foi o caso da criação da Postal Saúde, a suspensão de concurso público e a flexibilização de normas para designação de funções, entre outras. O aparelhamento político induzido propositalmente na Empresa e a ingerência política nos Correios, na Postal Saúde e no Postalis, presentes nas últimas gestões, criaram rombos gigantescos que demandarão grande esforço para serem corrigidos.

A correção de rumos nos Correios, tanto no aspecto econômico quanto em qualidade de serviços, passará, necessariamente, por termos gestão técnica na Empresa, do topo à base. Assim, independentemente do rumo que se dê no futuro às estatais em geral ou aos Correios em particular, é fundamental que o novo governo perceba que não deve descuidar de escolher bem os dirigentes que aqui vai colocar e também de recomendar-lhes que reintroduzam na Empresa práticas que valorizem a técnica, a experiência e o desempenho, deixando de lado critérios políticos ou de outra ordem para escolher líderes.

Os Correios possuem bons fundamentos e bons quadros de pessoal. Bem dirigida, a Empresa pode fornecer excelentes serviços aos brasileiros, mesmo sob a forma de estatal. A questão central não é sua forma jurídica, mas sim a forma como é dirigida. Com aparelhamento e ingerência políticos, sob a forma de estatal ou de economia mista, não terá futuro e tenderá a aprofundar os rombos já produzidos. Bem administrada, porém, deixará de ser uma preocupação para o governo e voltará a ser motivo de orgulho para os brasileiros, posicionando-se entre as melhores organizações postais do mundo, como já aconteceu. E produzirá novamente bons dividendos para seu acionista.

O artigo de O Globo está no link.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Por que defendemos com tanta ênfase a gestão técnica


Ao longo de minha vida e da carreira na Empresa nunca consegui lidar bem com jeitinhos e politicagem. Penso que as coisas podem e devem ser feitas de forma correta, com clareza e lisura e sem atalhos. Penso também que numa empresa, seja ela privada ou pública, os trabalhadores devam ser reconhecidos por suas qualidades e por seu desempenho e jamais por ligações políticas ou por outras razões alheias a sua vida profissional. E, com relação aos líderes, esses devem ser escolhidos entre os melhores, mais preparados e aptos para conduzir suas equipes. Nada diferente disso.

Infelizmente, em diversas situações a realidade tem se desviado dessa trilha e os efeitos disso vêm, inexoravelmente, nos resultados da própria organização.

Nos Correios, assistimos nos últimos anos a um deliberado desmonte da gestão de pessoas, para substituir a meritocracia por indicações políticas. Processos de estruturação de carreiras que estavam bem evoluídos e que precisavam ser concluídos ou aprimorados foram abandonados. Normas foram alteradas ou flexibilizadas para "facilitar" o acesso às funções por trabalhadores que estivessem "politicamente alinhados". E o resultado veio expresso na desmotivação das pessoas, na queda de qualidade e, finalmente, num balanço deficitário.

Como também ocorre com o Governo, o preenchimento em grande escala de cargos de direção, de gestão e de liderança por indicados políticos em detrimento do uso de critérios técnicos para preencher essas posições é a principal causa dos péssimos resultados que vão surgindo.

Nem o Estado nem suas empresas foram feitos para "acomodar apaniguados". Foram feitos para servir à sociedade e para prestar bons e efetivos serviços aos cidadãos. E, para isso, precisam de bons servidores, selecionados por concurso público e devidamente motivados por planos de carreira justos e por sistemas de avaliação que valorizem o bom desempenho. 

Qualquer governo ou direção de estatal que se preze precisa compreender isso e agir para que a meritocracia, o desempenho, a qualificação voltem a ser considerados na escolha de dirigentes, gestores e líderes. Sem isso, continuaremos numa espiral descendente em qualidade e resultados e nem o País nem a Empresa terão futuro.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

POSTALIS - atuação do conselheiro e eleições

Um dos temas mais presentes nos contatos de colegas conosco é o POSTALIS. O déficit do fundo BD e o consequente plano de equacionamento têm preocupado os participantes e assistidos e isso os tem motivado a buscar informações sobre como pensamos a respeito, o que temos feito e como enxergamos as eleições que se iniciarão em breve para uma vaga de Diretor no POSTALIS. Trataremos desses assuntos nesta postagem.

Pensamento e atuação do conselheiro Marcos César sobre o POSTALIS

No Conselho de Administração, o membro eleito não pode votar nos temas relacionados a alguns assuntos, como previdência complementar (Lei nº 12.353/10). Assim, não votamos quando o assunto é POSTALIS. Importante explicar que é rara a passagem pelo Conselho de Administração de assuntos relacionados ao POSTALIS, pois a imensa maioria desses assuntos é tratada apenas na alçada da Diretoria Executiva e de órgãos diretivos do POSTALIS (Conselho Deliberativo e Diretoria do POSTALIS).

Assuntos relacionados, como o desprovisionamento da RTSA, precisam passar pelo Conselho de Administração. Nessas ocasiões, nosso posicionamento tem sido registrado formalmente. No caso do desprovisionamento da RTSA, votamos contra, como consta detalhadamente em nosso voto. O voto contrário pode não determinar a decisão, mas registra um posicionamento que pode ser referenciado posteriormente quando o tema for discutido em outros fóruns, em órgãos de controle ou na justiça, por exemplo.

Fora do conselho, participamos de dezenas de reuniões com entidades representativas, com as equipes do Ministério das Comunicações, do POSTALIS e da PREVIC, com o objetivo de buscar avanços que pudessem minimizar os efeitos do equacionamento para os trabalhadores e para a Empresa. Infelizmente, porém, os avanços efetivos foram raros, o mais importante deles a assinatura do TAC, que propiciou a realização do equacionamento em prazo aderente ao que previa a lei e não de forma antecipada, como tentava fazer o POSTALIS na ocasião. O TAC nos daria mais tempo para compreender melhor a situação do plano BD e tentar corrigir alguma situação que fosse constatada.

Hoje vejo com preocupação que só restou aos trabalhadores a via judicial, para tentar reverter ou minimizar a imputação de responsabilidade pelo déficit registrado no fundo BD. Questões como a retomada do pagamento da RTSA pela Empresa não avançaram, por discordância do Tesouro Nacional e do DEST com essa retomada e ausência de disposição da direção da Empresa de seguir o caminho apontado pelas consultorias que os Correios e o POSTALIS contrataram para avaliar esse tema. De forma similar, a recuperação de prejuízos imputados ao instituto por operações feitas sem os cuidados necessários ou a fiscalização apropriada também não produziu resultados significativos até agora.


Eleições para Diretor Administrativo-Financeiro
Com relação a esse assunto, penso que devamos escolher um representante que reúna todas as condições técnicas de exercer o cargo e que já tenha demonstrado interesse e conhecimento sobre os problemas enfrentados pelo POSTALIS.

Entre os candidatos, há alguns que conheço pessoalmente e nos quais depositaria minha confiança. Um deles, porém, se destaca, por seu histórico de luta pela melhoria do POSTALIS e por ter sido escolhido em prévias realizadas pela ADCAP entre os associados. Trata-se de Luiz Alberto Menezes Barreto, atual Presidente da ADCAP.

Acompanho há anos o trabalho do Luiz, da Inês e dos demais colegas que dirigem a ADCAP. Vi os primeiros momentos da tentativa, tiuda por muitos como impossível, de motivar a criação de uma CPI para tratar dos fundos de pensão no Congresso e sei que não fosse a determinação do Luiz e dos demais colegas da ADCAP, representados no Congresso pelos colegas aposentados Jackson e Pedro, não teríamos hoje o acervo de apontamentos e de recomendações que a CPI produziu.

Também tenho lido com atenção as dezenas de publicações da ADCAP sobre o POSTALIS, incluindo as manifestações para órgãos de controle (TCU, CGU e MPF) e para a PREVIC. E pude assistir as participações do Luiz em audiências na Câmara e no Senado, tratando das questões do POSTALIS.

Noutra esfera, pude ver como o Luiz tem interlocução fácil com seus colegas da DR/MG em todos os níveis. Essa qualidade de comunicação simples e fácil será importante para que tenhamos também no POSTALIS a transparência necessária.

Por tudo isso, estarei muito bem representado na Diretoria Administrativo-Financeira do POSTALIS se o Luiz Alberto for eleito, pois ele reúne todas as qualidades para fazer lá um ótimo trabalho.

A eleição de dois diretores pelos trabalhadores, começando por essa vaga de Diretor Administrativo-Financeiro é um importante avanço de governança do instituto. Temos que aproveitar a oportunidade para escolher um representante à altura do desafio, valorizando esta primeira oportunidade de termos voz na Diretoria do POSTALIS.

Eleições para o Conselho de Administração - 1º turno

Os resultados do primeiro turno das eleições para o Conselho de Administração já estão publicados no site das eleições, conforme links a seguir:

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Eleições do Conselho de Administração - votação até 10/05/2016

Eleição de membro do Conselho de Administração
Comunicado recebido da Comissão Eleitoral - 09/05/2016

Prezados Candidatos,

Estamos prorrogando o prazo de votação para o Conselho de Administração, considerando a ocorrência de dificuldades ocorridas com a distribuição das Carta-Senhas em algumas localidades.

Com a prorrogação o prazo de encerramento passará a ser no dia 10/05/2016 às 18hs (horário de Brasília).

Com a prorrogação acima, o Calendário Eleitoral passará a ser:

Encerramento de Votação                 de: 09/05/2016   para:  10/05/2016       
Apuração de votação:                       de: 09/05/2016   para: 10/05/2016 (às 18:30hs de BSB)
Divulgação do Resultado:                  de: 10/05/2016   para: 10/05/2016                               
Início do Prazo de Recurso:                 de: 10/05/2016   para 11/05/2016  (à partir da s 8hs  de BSB)
Encerramento do prazo de Recurso: de: 12/05/2016   para 13/05/2016  (às 18hs de BSB)
Julgamento do Recurso:                      de: 16/05/2106   mantem 16/05/2016
Divulgação do Resultado:                    de: 16/05/2016  mantem 16/05/2106 às 18hs de BSB

Os demais itens do calendário continuam os mesmos.

Atte,


Presidente da Comissão Eleitoral Nacional – PRT/PRESI – 033/2016

quarta-feira, 4 de maio de 2016

domingo, 1 de maio de 2016

Veja - FIESP propõe venda de participação em estatais

A capa da revista Veja desta semana acentuou uma preocupação dos colegas quanto a um tema que sempre produziu muitos debates acalorados na Empresa - os efeitos de uma abertura de capital, ou, para alguns, da privatização da Empresa.
Nesta postagem, comentaremos um pouco o tema, em seus aspectos mais gerais.
Primeiramente, é necessário comentar que a proposta em questão - venda de 49% do controle dos Correios, Infraero e Eletrosul - constou, de acordo com a matéria da revista, num conjunto de medidas proposto pela FIESP para equilibrar as finanças do País sem a necessidade de aumentar impostos. A campanha da FIESP pela não ampliação de impostos é bastante conhecida e pode ser sintetizada em algo como os cidadãos não quererem pagar o pato pela situação econômica criada no País. 
Num contexto assim, é natural que surjam propostas de entidades como a FIESP, no sentido de o Governo Federal vender parte de estatais para se capitalizar, evitando a necessidade de novos impostos.
Na realidade, porém, a abertura de capital de uma estatal em geral não é algo simples, que possa ser implementado em curto espaço de tempo. No caso dos Correios, a situação é ainda mais complexa, porque a Empresa tem um forte veio de atuação social a ser preservado, além de sua atuação em mercado concorrencial. Além disso, os Correios também vivem um momento de resultados econômicos negativos, que, por si só, já afastariam muitos dos potenciais interessados, além de desvalorizar seus ativos. Também deve ser levado em conta que o contexto de governança do País é muito adverso para um empresário ser sócio minoritário do Governo Federal em qualquer empreendimento; a situação da PETROBRAS demonstra bem isso.
Assim, independentemente de outras razões que poderiam justificar a permanência dos Correios como empresa pública com 100% de capital da União, temos um contexto geral que tornaria agora uma iniciativa de abertura de capital tecnicamente inviável.
E se caminhar por esse rumo da venda de participação da Empresa não é um caminho tecnicamente viável, torna-se ainda mais importante para o Governo Federal que outras medidas sejam tomadas para estancar os prejuízos que estão sendo produzidos pela organização, de forma que os Correios voltem a ter resultados positivos e possam contribuir com dividendos adequados para a União. Entre essas medidas, a principal é a profissionalização da gestão, pelos efeitos estruturantes que teria em toda a Empresa. Com dirigentes selecionados no corpo técnico da Empresa a partir de sua experiência e desempenho e não de vinculações políticas temos plenas condições de chegar logo ao equilíbrio e, em seguida, a superavits, como ocorreu na maior parte da história dos Correios.
A boa gestão, tecnicamente construída, é imprescindível para qualquer organização, independentemente de quem controle seu capital. Isso vale tanto para uma empresa de economia mista quanto para uma estatal ou para qualquer outra empresa.